Olá, boa noite. Primeiro obrigado a todos que visitaram o blog e espero que retornem sempre e leiam as postagens, podendo inclusive opinar, concordando ou discordando, pois como eu já disse , o conhecimento é uma via de mão dupla e eu certamente aprenderei também. Nosso primeiro tema é sobre Planejamento familiar, Afinal, quem decide quantos filhos o casal irá ter? Antes de falar sobre os métodos contraceptivos, acho importante discutirmos um pouco sobre as relações e comportamentos dos casais. Historicamente, sendo o homem provedor do lar, foi imposto a mulher uma responsabilidade que certamente deveria ser do casal. Coube a mulher exclusivamente se proteger de uma gravidez indesejada. Eu coordeno um grupo de Planejamento Familiar onde trabalho e observo que mais de 90% dos participantes são mulheres. O homem não se importa em participar desse processo, e ainda percebo coisa pior, o desrespeito e a falta de adesão ao método escolhido pela mulher. A grande maioria opta pelo método cirúrgico ( laqueadura tubária) para garantir que não ocorra uma gravidez que ela não deseja. Os métodos comportamentais, como tabelinha, teste ovulatório ( billing) entre outros que falaremos mais adiante, precisa da adesão e compreensão do parceiro que muitas vezes não entende que naquele período (período fértil) a mulher não pode manter relação sexual com penetração vaginal. Observo nos grupos que a mulher acaba por manter relações para "evitar brigas", para satisfazer seu parceiro mesmo que ela não tenha prazer, assim ela não só acaba logo com o problema, mas se coloca em risco de engravidar. Durante as palestras, mesmo quando há participações de homens, sempre levanto essas questões. Claro que percebo certo desconforto entre os poucos homens que participam, mas eu preciso tentar fazê-las entender que a maior responsabilidade na criação do filho é da mãe, que geralmente passa as 24h educando, enquanto o homem chega a noite e pouco participa do processo educativo e de cuidado com aquela criança. As mulheres precisam entender que são donas de de seus desejos, de seus corpos e que podem e devem dizer não quando não estiverem com vontade de manter relações sexuais, seja por não querer engravidar ou mesmo por não estar com vontade. Manter uma relação sexual sem desejo é uma violência permitida pela mulher muitas vezes. Tento fazê-las entender que para que o sexo ocorra de forma prazerosa a noite, o processo, o encantamento ja começa ao acordar, quando o homem lhe dá um beijo de bom dia, se mostra carinhoso antes de sair para o trabalho, ou mesmo telefone durante o dia para saber como ela esta.
Eu não consigo conceber a ideia de que a mulher tenha vontade de transar com um homem que lhe trata mal durante todo o dia ou durante a semana! Digo sempre que existe duas áreas de prazer sexual na mulher: a região clitoriana e principalmente a região cerebral. A mulher precisa muito mais do que um estímulo clitoriano para se excitar e chegar ao orgasmo, a excitação da mulher não é visual, ao menos no geral. A excitação da mulher começa com atos carinhosos, demonstração de amor, de desejo. A cabeça da mulher precisa estar conectada com essa relação de carinho para aí sim, ela ter uma relação sexual prazerosa. Assim, antes de expor os métodos contraceptivos, eu sinto a necessidade de levantar essas questões por que entendo que a maioria das participantes não tem o hábito do diálogo aberto com seus parceiros. Hoje, por acaso uma pediu a palavra e disse:"acho engraçado um homem falando esse tipo de coisa sobre as mulheres." Por aí podemos perceber que a mulher geralmente não é ouvida por seus parceiros, e por isso, são forçadas a se violentarem numa relação sexual não desejada por ela. É preciso aprender dizer NÃO QUERO! Sem precisar fingir dores para evitar o sexo, até porque a dor psicológica de ter participado de uma relação indesejada será muito mais doida e pior. Joguem limpo, falem abertamente com seus parceiros sobre suas vontades e necessidades. Diga não se for preciso, mesmo porque essa questão da subserviência é histórica, logo, o homem que age de forma indiferente não significa que ele não lhe tenha amor, ele muitas vezes está apenas repetindo um aprendizado de uma vida inteira: de que a mulher está ali pra lhe servir sexualmente. Isso pode mudar, basta você querer.
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